...
Sinto tantas vezes que não marcho ao mesmo ritmo
E não marcho na mesma direção que o resto das tropas
Como um desalinhado...

João Miguel, O Pássaro do Sul

06/11/2015

Quando for Grande

Descobri ao fim de bastantes anos, a resposta a uma pergunta posta na infância. Tenho uma grande admiração por quem sempre se pergunta porquê, quem olha para lá do dito, quem aprofunda, se informa e informa. Quem com coragem põe o rei nu, quem não tem medo de se por em causa, quem não pára no caminho. Quem ensina e ajuda a pensar, afinal aquele tipo de gente que eu "gostaria de ser quando for grande".

João Miguel, O Pássaro do Sul

Ingenuidade

É interessante ver a ingenuidade de muita gente que para se escusar ao pensamento político se esconde com pedras na mão dizendo "são todos iguais". Todos somos animais políticos. A política e as interferências que tem nas nossas vidas estão por todos os lados. Toda a opção é política, é inevitável. Quem se escusa a ela é cúmplice de quem tem o poder e sendo-o é arma política. Partidariamente ou em movimentos, em sindicatos ou associativamente, todos tendem a querer ter influência política, mesmo sem pensá-lo conscientemente.
Penso que para bem do planeta e da humanidade todos deveriam assumi-lo, ter consciência deste facto. Mas sempre claro, sem se tornarem em doentes bipolares políticos, que é quando pensam que "se alguém não é isto só pode ser aquilo" sem conseguir visualizar e aperceber todo o espectro de soluções e ideologias. E digo ideologia e não idealismo ou demagogia, para não haver confusões (há quem confunda).

 João Miguel, O Pássaro do Sul

12/08/2015

Esquerdas

Na realidade existem duas esquerdas, uma "esquerda" que é propagandeada pela maior parte dos mass media, que é a "esquerda" do sistema que se pretende ver preservado, geralmente o partido apelidado de centro-esquerda duma ditadura bipartidária, ou a verdadeira esquerda, que luta por uma mudança e onde a terra e a dignidade do ser humano são a prioridade...
Triste, mas muita gente ainda não notou a diferença.

 João Miguel, O Pássaro do Sul

09/08/2015

Lugar

Quem ama
é
de todos os lugares.
Quem não,
de um
 só.

 João Miguel, O Pássaro do Sul

17/07/2015

Auto-Ajuda?

Se existe algo que penso ter ajudado muito à indiferença, egoísmo, passividade de muitos sectores de sociedades pretensamente desenvolvidas, são os livros de auto-ajuda. Proteja-se, evite as más vibrações, pense positivo, ame-se, etc, etc...
É todo um parlapié que apela à inacção social, a um grande egocentrismo e pior, no final só faz com que o "aluno" seja uma pessoa ainda mais fraca, pois que no fundo não aprendeu a enfrentar a vida.

 João Miguel, O Pássaro do Sul

03/05/2015

Harmonia

Pergunto-me porque a palavra "harmonia" quando pronunciada, na maioria das vezes, me soa a armadilha. Porquê o verbo que lhe é associado (harmonizar) me parece significar massificação, globalização. Porquê teológica ou politicamente parece quase sempre usada para subliminarmente colar nas costas dos "outros" o "mal".

 Não são as diferenças uma das maiores riquezas? A diversidade não é farol imprescindível no incessante trabalho de por em causa a cada momento o que somos, de onde viemos e para onde vamos? Não serão outros modos de entender a vida fontes de crescimento? Opiniões variadas, o húmus ideal ao aparecimento de novas ideias? Profundamente a própria essência do belo não tem raiz na percepção das mais diversas tonalidades dos sentidos?

Neste sentido, para mim, harmonizar massificando é morte. Vida é a defesa da diferença, a riqueza cultural, a multiplicidade de belos.

João Miguel, O Pássaro do Sul

30/07/2014

Quero a Pergunta

Assalta-me este cansaço das ideias com o mesmo rosto, todos os dias.
Este Estio que tudo secou, a Invernia que congela o sangue das palavras.
Sinto a vontade de ser, partir, malas aviadas em direcção à pergunta.
Não quero a resposta, são sempre as mesmas, quero a pergunta,
que como chuva de unhas nas minhas costas, me desperte.

Penso até o horizonte me trazer num prato
o sol poente aos olhos incendiados de sangue
e só me resgata o teu braço que grita:
- Vida!

 João Miguel, O Pássaro do Sul

26/04/2014

Grandeza

No 25 de Abril de 74, os capitães, visualizando principalmente Salgueiro Maia, tomaram a iniciativa já tendo combatido na guerra do ultramar, não foram que eu saiba vítimas da PIDE, eram alimentados pelo estado português e puseram suas vidas e carreiras em risco, grandes homens!

 Pensaram e fizeram pelos milhares de mortos, dum lado e doutro, das mulheres abusadas, das mães, mulheres e filhos chorosos da guerra, pelos que não podiam expressar uma opinião, pelos que viam os alimentos racionados, pelos que nasciam condenados a não ter oportunidades porque não eram filhos das elites...

Agiram em nome dum bem maior que o umbigo deles, foram receptáculo às mensagens e sofrimento do povo a que pertenciam, foram mãos dum coração enorme que batia à volta deles! Existe algo de que um português esclarecido, inteligente, aberto se possa orgulhar mais? Para mim não! E português que não valorize o 25 de Abril, tem que ser muito pequeno...

 João Miguel, O Pássaro do Sul

29/03/2014

Narcisos?

Amo a primavera,
as flores,
só a machado
corto os Narcisos.

 João Miguel, O Pássaro do Sul

Carta para Josefa...

Carta para Josefa, minha avó

 Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo - e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o Sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal! Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz. Não sabes nada do Mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos da rua, aos casamentos de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietnam é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?...) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém. Estou diante de ti e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este Mundo e não curaste de saber o que é o Mundo. Chegas ao fim da vida, e o Mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não fazia parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal, a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha vã e chão de terra batida. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrugada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos- e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Porque foi então que te roubaram o mundo? Quem to roubou? Mas disto entendo eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando se soubesses compreender. Já não vale a pena.O mundo continuará sem ti- e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava. Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa de que me não acusas- e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!" É isto que eu não entendo- mas a culpa não é tua.

José Saramago

28/03/2014

“Reverência e Aversão Perante a Palavra de Deus”



Discurso de Amadeu de Prado no livro "O Trem Noturno para Lisboa" Capítulo 19

"Não quero viver num mundo sem catedrais. Preciso de sua beleza e de sua transcendência. Preciso delas contra a vulgaridade do mundo. Quero erguer o meu olhar para seus vitrais brilhantes e me deixar cegar pelas cores etéreas. Preciso do seu esplendor. Preciso dele contra a gritaria no pátio da caserna e a conversa frívola dos oportunistas. Quero escutar o som oceânico do órgão, essa inundação de sons sobrenaturais. Preciso dele contra a estridência ridícula das marchas. Amo as pessoas que rezam. Preciso de sua imagem. Preciso dela contra o veneno traiçoeiro do supérfluo e da negligência. Quero ler as poderosas palavras da Bíblia. Preciso da força irreal de sua poesia. Preciso dela contra o abandono da linguagem e a ditadura das palavras de ordem. Um mundo sem essas coisas seria um mundo no qual eu não gostaria de viver.

Mas existe ainda um outro mundo no qual eu não quero viver: um mundo em que se demoniza o corpo e o pensamento independente e onde as melhores coisas que podemos experimentar são estigmatizadas e consideradas pecado. O mundo em que nos é exigido amar os tiranos, os opressores e assassinos, mesmo quando seus brutais passos marciais ecoam atordoantes pelas vielas ou quando se esgueiram, silenciosos e felinos, como sombras covardes pelas ruas e travessas para enterrar, por trás, o aço faiscante no coração de suas vítimas. Entre todas as afrontas que se lançaram do alto dos púlpitos às pessoas, uma das mais absurdas é, sem dúvida, a exigência de perdoar e até de amar essas criaturas. Mesmo se alguém o conseguisse, isso significaria uma falsidade sem igual e um esforço de abnegação desumano que teria que ser pago com a mais completa atrofia. Esse mandamento, esse desvairado e absurdo mandamento do amor para com o inimigo, serve apenas para quebrar as pessoas, para lhes roubar toda a coragem e toda a autoconfiança e para torná-las maleáveis nas mãos dos tiranos, para que não consigam encontrar forças para se levantar contra eles, se necessário, com armas.

Venero a palavra de Deus, pois amo a sua força poética. Abomino a palavra de Deus, pois odeio a sua crueldade. Este amor é um amor difícil, pois tem que distinguir constantemente entre o brilho das palavras e a subjugação verborrágica a uma divindade presumida. Este ódio é um ódio difícil, pois como é que podemos nos permitir odiar palavras que fazem parte da própria melodia da vida nessa parte da Terra? Palavras que para nós foram dadas como finais, quando começamos a pressentir que a vida visível não pode ser toda a vida? Palavras sem as quais não seríamos aquilo que somos?

Mas não nos esqueçamos: são palavras que exigem de Abraão que sacrifique o seu próprio filho como se fosse um animal. O que fazer com a nossa ira quando lemos isto? Um Deus que acusa Jó de disputar com ele quando nada sabe e nada entende? Quem foi que o criou assim? E por que seria menos injusto quando Deus lança alguém no infortúnio sem motivo do que quando um comum mortal o faz? E Jó não teve todos os motivos para a sua queixa?

 A poesia da Palavra divina é tão avassaladora que cala tudo e reduz toda e qualquer contestação a um uivo lastimável. É por isso que não se pode simplesmente pôr a Bíblia de lado, mas ela deve ser jogada fora assim que estejamos fartos de suas exigências e do jugo que ela nos impõe. Nela, manifesta-se um Deus avesso à vida, sem alegria, um Deus que quer restringir a poderosa dimensão de uma vida humana – o grande círculo que descreve quando está em plena liberdade – a um só e limitado ponto de obediência. Carregados com o fardo da mágoa e o peso do pecado, ressequidos pela subjugação e pela falta de dignidade da confissão, a testa marcada pela cruz de cinza, devemos marchar em direção à sepultura, na esperança mil vezes contestada de uma vida melhor a Seu lado; mas como pode ser melhor ao lado de alguém que antes nos privou de todos os prazeres e de todas as liberdades? E, no entanto, as palavras que vêm de Deus e para ele se dirigem são de uma beleza avassaladora. Como as amei nos tempos de coroinha! Como me embriagaram no brilho das velas do altar! Como pareceu claro, tão claro quanto a luz do sol, que aquelas palavras fossem a medida de todas as coisas! Como parecia incompreensível, para mim, que as pessoas dessem importância também para outras palavras, quando cada uma delas não podia significar mais do que dispersão desprezível e perda da essência! Ainda hoje paro quando escuto um canto gregoriano, e durante um instante irrefletido fico triste que este estado de embriaguez tenha dado lugar irremediavelmente à rebelião. Uma rebelião que se ateou em mim como uma labareda quando, pela primeira vez, escutei estas palavras: sacrificium entellectus.

Como podemos ser felizes sem a curiosidade, sem questionamentos, dúvidas e argumentos? Sem o prazer de pensar? As duas palavras que são como um golpe de espada que nos decapita não significam nada menos senão a exigência de vivenciar nossos sentimentos e nossas ações contra o nosso pensar, são um convite para uma dilaceração ampla, a ordem de sacrificar precisamente o núcleo da felicidade: a harmonia interior e a concordância interna de nossa vida. O escravo na galé está acorrentado, mas pode pensar o que quiser. Mas o que Ele, o nosso Deus, exige de nós, é que interiorizemos com nossas próprias mãos a escravidão nas profundezas mais profundas e que, ainda por cima, o façamos voluntariamente e com alegria. Pode haver escárnio maior?

Em sua onipresença, o Senhor é alguém que nos observa dia e noite, que a cada hora, cada minuto, cada segundo registra nossas ações e nossos pensamentos, nunca nos deixa em paz, nunca nos permite um momento sequer em que possamos estar a sós conosco. Mas o que é um ser humano sem segredos? Sem pensamentos e desejos que apenas ele próprio conhece? Os torturadores, os da Inquisição e os atuais, sabem: corte-lhe a possibilidade de se retirar para dentro, nunca apague a luz, nunca o deixe a sós, negue-lhe o sono e o sossego, e ele falará. O fato de a tortura nos roubar a alma significa: ela destrói a solidão com nós mesmos, da qual necessitamos como do ar para respirar. O Senhor, nosso Deus, nunca percebeu que, com sua desenfreada curiosidade e sua repugnante indiscrição, nos rouba uma alma que, ainda por cima, deve ser imortal?

Quem é que realmente quer ser imortal? Quem quer viver por toda a eternidade? Como deve ser tedioso e vazio saber que não tem a menor importância o que acontece hoje, este mês, este ano, pois ainda sucederão infinitos dias, meses, anos. Infinitos no sentido literal da palavra. Alguma coisa ainda contaria, neste caso? Não precisaríamos mais contar com o tempo, não perderíamos mais oportunidades, não teríamos mais que nos apressar. Seria indiferente se fizéssemos alguma coisa hoje ou amanhã, totalmente indiferente. Diante da eternidade, negligências milhões de vezes repetidas se tornariam um nada e não faria mais sentido lamentar alguma coisa, pois sempre haveria tempo para recuperar. Não poderíamos nem mesmo nos entregar à simples fruição do dia, pois essa sensação de bem-estar decorre da consciência do tempo que se esvai, o ocioso é um aventureiro perante a morte, um cruzado contra o ditado da pressa. Onde ainda existe espaço para o prazer em esbanjar tempo quando existe tempo sempre, em todo lugar, para tudo e para todos?

Um sentimento não é idêntico quando se repete. Tinge-se de outras nuances pela percepção do seu retorno. Cansamo-nos dos nossos sentimentos quando se repetem muitas vezes ou duram demais. Na alma imortal surgiria, portanto, um tédio gigantesco e um desespero gritante perante a certeza de que aquilo nunca acabará, nunca. Os sentimentos querem evoluir, e nós com eles. São o que são porque repelem o que já foram e porque fluem em direção a um futuro onde mais uma vez se afastarão de nós. Se esse caudal desaguasse no infinito, milhares de sensações teriam que surgir dentro de nós, que, acostumados a uma dimensão limitada de tempo, nunca conseguiríamos imaginar. De modo que, pura e simplesmente, nem sabemos o que nos é prometido quando ouvimos falar da vida eterna. Como seria sermos nós próprios na eternidade, sem o consolo de podermos, um dia, vir a ser redimidos da obrigação de sermos nós? Não o sabemos, e o fato de nunca o virmos a saber representa uma bênção. Pois uma coisa podemos estar certos: seria um inferno, esse paraíso da imortalidade.

 É a morte que confere o instante a sua beleza e o seu pavor. Só através da morte é que o tempo se transforma num tempo vivo. Por que e que o Senhor, Deus onisciente, não sabe disso? Por que nos ameaça com uma imortalidade que só poderia significar um vazio insuportável?

 Não quero viver num mundo sem catedrais. Preciso do brilho de seus vitrais, de sua calma gelada, de seu silêncio imperioso. Preciso das marés sonoras do órgão e do sagrado ritual das pessoas em oração. Preciso da santidade das palavras, da elevação da grande poesia. Preciso de tudo isso. Mas não menos necessito da liberdade e do combate a toda a crueldade. Pois uma coisa não é nada sem a outra. E que ninguém me obrigue a escolher."


Pascal Mercier
Pseudónimo do filosofo suíço Peter Bieri

27/03/2014

Dos Infelizmentes

É trágico-cómico haver quem tente condicionar as amizades e relações doutrem, principalmente se a pessoa alvo do condicionamento não teve o mesmo tipo de atitude em relação ao sujeito condicionador. E revela certamente desconhecimento do que é carácter, ou mesmo a falta dele, pois que alguém com personalidade não se deixará condicionar e até porá de lado aquele sujeito, algo que alguém de fortes valores saberia. O nojo acrescenta-se a isto tudo se o sujeito usar a mentira, a calúnia...

 João Miguel, O Pássaro do Sul

27/07/2013

Preguiça

Enoja-me sempre mais a preguiça mental, mãe de todos os preconceitos, educadora dos futuros dogmáticos. Preguiça mental uniformizante e detestável por ser opressora e castradora da diversidade de todos os tipos. A preguiça mental vinda seja da ignorância e pura estupidez, seja das pequenas mentes orgulhosas natas numa suposta superioridade intelectual, cultural ou histórica, que qualquer mente minimamente aberta sabe, o futuro desmente, desmonta e ridiculariza a todo o instante, no crescimento constante duma consciência universal.

 João Miguel, O Pássaro do Sul

21/06/2012

Vanguarda

Dei comigo a pensar que quem se achar na vanguarda de algo, passou logo a ser um conservador. Mal se ache que se está na frente, que o que se faz, pensa ou diz é o mais novo, moderno, inovador, parou-se. Para esse, o que vier passa a ser ou passado ou sem valor por lhe parecer despropositado ou sem sentido - melhor ainda: sem o sentido que preza. O que for renovar um estilo passado, ou uma declinação duma ideia pseudo vanguardista, passa a ser-lhe de mau gosto e este passa a ser uma inteligência orgulhosa, um velho do restelo.

Creio que é preciso estar sempre aberto às fluências...

João Miguel, O Pássaro do Sul