...
Sinto tantas vezes que não marcho ao mesmo ritmo
E não marcho na mesma direção que o resto das tropas
Como um desalinhado...

João Miguel, O Pássaro do Sul

12/02/2011

Reflectindo

Apanhei-me a pensar na possibilidade de determinados valores, importantes, serem transversais a toda a existência de alguém. Aprendi, ou apreendi, o ser contra ditaduras, quaisquer sejam e que ideologia as suporte. Ditaduras, não. E talvez por questões culturais, adquire-se um certo faro para pressentir as tentativas de lá chegar.

Fui adquirindo isso como valor seguro, quanto mais sabemos sobre elas, sabemos que numa ditadura existe a imposição, e seja física ou psicológica, a tortura. Tornei-me por isso intransigente no ser contrario a tudo que possa impedir igualdades de escolha, porque é através de escolhas, escolhendo e falhando ou não, que crescemos, com um saber cimentado e nosso, de nossas experiências. Sou por isso contra ditaduras, defensor do estado laico, igualdade de cultos religiosos, ateus incluídos, e aos poucos tornei-me adverso de todos os dogmatismos que nos tentam infundir, sejam em que área for, por exactamente, serem sempre tentativas dum limitar campos de escolha e crescimento. Serem tentativas de ditadura dos gostos.

E a tortura existe! Se alguém que não tenha a força de assumir o que gosta, se deixar prender na sentença de alguém, que pelo seu percurso for digno da sua admiração ou seja pessoa que modele opiniões e sentidos de pensamento ou percursor de modismos e tendências, fica encurralada e sofre a luta do que é, contra o que lhe ditaram como modelo a atingir. Matando a originalidade. Tendo de haver a coragem de como contra todas as ditaduras, de se remar contra a maré, sofrer os preconceitos dos dogmáticos, até chegar o momento da revolução, em que existe o inevitável evoluir da historia e o julgamento é feito no futuro.

Quando não se atenta contra a dignidade humana, contra a vida, quando não se põem em causa a igualdade, o direito à opinião, não se apela ao preconceito, à exclusão, todos os gostos são plausíveis, sejam ou não os meus, que não são para aqui chamados...
Por isso, por coerência, sou contra todas as formas de tentativa de ditar caminhos como sendo os únicos exequíveis, ideologicamente, religiosamente, ditaduras da imagem e dos gostos...
Se dermos iguais oportunidades a todos de crescer, cada um saberá lá chegar, e se não souberem o que for realmente de mau gosto, é necessário também para servir de contraste, e ajudar à escolha de quem sobe.

João Miguel, O Pássaro do Sul

2 comentários:

Colecionadora de Silêncios disse...

Olá, João.

Vim conhecer o seu espaço e me encantei com tudo por aqui!

Lindos textos e belíssimos poemas!

Estou seguindo-te.

Beijinho :)

Tatiana disse...

Peço licença para entrar em seu espaço,
e deixar um recado igual para todos os que considero.
A Blogosfera é um paraíso literário.
Aqui encontramos pessoas com dons maravilhosos!
Eu tive muita sorte... Nesses caminhos eu encontrei você!
Obrigada por fazer parte da minha vida.
Um beijo carinhoso